TOC

Publicado: 24/08/2015 em Pessoal
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Transtorno Obsessivo Compulsivo. Eu sinceramente nunca achei que tivesse isso até meu psiquiatra percebesse minha rotina repetitiva.
Eu achava que havia alguma coisa muito estranha comigo, só não sabia explicar.

Era cansativo acordar todos os dias e seguir uma sequência que só eu entendia.
Passava horas pensando na roupa que usaria no dia seguinte, e mesmo quando decidia, voltava a pensar tudo de novo,  acordava no mínimo cinco vezes durante a noite para ter certeza de que não estava perdendo a hora.
Ao acordar eu tinha que tomar o café da manhã e só então tomava banho. Mas esse também precisaca ter sua sequência: lavar o cabelo com shampoo duas vezes, passar o hidratante,  prender o cabelo, esfregar o corpo todo com a bucha e esfoliante, a partir do braço esquerdo,  enxaguar o cabelo, me enxaguar totalmente,  esfregar novamente a bucha com o sabonete, enxaguar,   passar o sabonete em todo o corpo  pela última vez e me enxaguar por fim. Ufa!
Isso não significava que eu estava pronta. O fim do banho de uma hora de duração era apenas a metade do “percurso”.
Me secava, passava hidratante pelo corpo todo,  o desodorante, saia do banheiro.
Em frente ao espelho do quarto fazia escova no cabelo, o que me custava uns quarenta minutos,  mais vinte minutos para passar a chapinha em cada mechinha do cabelo.
Me vestia. Por fim escovava os dentes por mais vinte minutos,  passava uma maquiagem completa por mais quinze, (com direito a primer, base, pó, sombra, blush, rímel etc).
Passava perfume, colocava os acessórios (brinco, anel, relógio…).
E estava pronta para ir.
Acha que eu estava indo para uma festa?
NÃÃÃO!
Estava indo para o trabalho ou qualquer outro lugar (geralmente chegava com uma hora de atraso).
Esse é meu ritual desde a infância,  e que piorou muuuito há cerca de 10 anos.
Tamanho medo que eu tenho de que riam do meu rosto, cabelo etc. Eu nunca quis ficar “bonita”, bastava passar despercebida pelo olhar das pessoas.
Acho que trabalhar nos últimos anos com uma “colega” que criticava insistentemente e diariamente minhas roupas, maquiagem,  cabelo, jeito de falar e forma de pensar, agravou a situação.
Passei a gastar mais de três horas me arrumando para ter coragem de sair de casa,  mesmo que eu fosse apenas à padaria da esquina, além de sentir tremores fortes nas mãos e pernas o que dificultava tudo.
O outro lado do TOC é o medo paralisador.
Nesses tempos em que estou de licença médica, sinto medo de sair de casa, justamente pelo medo maior de passar humilhação pública, e pelo cansasso que esse processo de arrumação me causa.
No entanto,  se antes eu saia com medo mesmo, hoje eu evito a todo custo sair porta à fora.
Sinto que estou com o espaço de movimentação limitado aos cômodos da casa e à proteção dos meus familiares.
De acordo com o Google, estou à 550 em casa.
Hoje estou sem forças para lutar…
Sei lá.

Usos e costumes

Publicado: 08/01/2015 em Mulher, Pessoal
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liberdade

O mal de ter feito parte de uma igreja rígida sobre usos e costumes por tanto tempo e depois ter uma visão diferente sobre o evangelho de Cristo, é que você sente que perdeu sua adolescência sendo uma pessoa estranha, a fim de agradar alguém que não é Deus.

Posso dizer por mim, passei dos 15 aos 21 anos em duas igrejas que consideravam que mulheres deveriam ter cabelos cumpridos, usarem saia, não usar maquiagem, nem qualquer joia/bijuteria como “a vontade de Deus”. Também era proibido que mulheres subissem no púlpito e pregassem, pois consideravam que mulheres eram impuras.

Também diziam que se os membros faltassem  em algum culto e Jesus voltasse, essa pessoa ficaria no mundo, e sofreria durante a grande tribulação.

Qualquer pessoa que saísse da igreja, para ser membro de alguma outra, já era considerado desviado, afinal, a igreja era meio separatista e não via com bons olhos a saída das pessoas.

O próprio pastor dizia ser pecado assistir TV e tomar Coca-cola, pois isso “afastaria” a presença do Espírito Santo da pessoa.

Hoje, pesquisando na internet achei a foto da filha do tal pastor. Em suas fotos, ela agia como qualquer adolescente normal. Dei graças a Deus por ela não viver sob a opressão demoníaca que seu pai colocava sobre as adolescentes da minha época.

Mas também fiquei triste por notar que perdi minha adolescência toda, seguindo regras idiotas.

Me lembro de uma vez, em que esse pastor chamou uma moça que nos visitava, à frente (ela era filha de um outro pastor) e disse que Deus tinha escolhido para ela, um homem para se casar. Que os dois iriam fazer a obra de Deus juntos. E que ela deveria olhar bem as outras adolescente da igreja porque dentre todas, só ela iria se casar.

Outra vez, ele chamou duas primas à frente para dizer que se algum rapaz as pedisse em namoro, que elas deveriam colocar a mão na cabeça do rapaz e expulsar, pois isso seria o demônio falando através dele.

Cara, ao mesmo tempo que eu via isso e me indignava, via no púlpito um presbítero pregando, e lá na nave da igreja, sua esposa e sua amante; via obreiros que trancavam suas esposas em casa, outros que as espancavam, por mero ciúme, a sobrinha do tal pastor sendo cortejada pelos rapazes da igreja, pois como ela cantava, seria uma trampolim pra a ascensão clerical.

O que dizer daqueles que pegavam emprestado e não devolviam e dos que não queria trabalhar, mas viver às custas dos dízimos e ofertas alheios.

Note, que em momento algum eu mencionei Jesus Cristo no meio dessa palhaçada toda, pois de fato, ele não estava no meio disso.

É claro que existiam alguns poucos com o coração voltado à Jesus lá dentro e que não se deixavam contaminar com tamanha podridão.

Me lembro que numa festa de ano novo, feito na casa de uma família da igreja, eu comecei a conversar com uma senhora sobre a bíblia e sobre os usos e costumes. Disse que não era errado usar calça, já que existem modelagens masculinas e femininas e até Jesus disse que o corpo é mais importante do que a roupa, e que ele não estava preocupado com panos, mas que ela deveria respeitar o dress code de cada lugar, assim, se vestindo de acordo com cada a ocasião, ela nunca faria feio.

Quando olhei ao meu redor, metade da festa havia parado para ouvir nossa conversa e a festa ficou meio vazia.

O pastor ouviu nossa conversa e dispersou a turma.

Notei a partir dali, que o pastor se sentiu ameaçado por mim e nunca mais me deu oportunidade para dizer qualquer coisa na igreja.

Mas gota d’agua, foi analisar o livro-caixa. As contas não batiam.

Visitei outra igreja com meu irmão e naquele dia, um pastor pregou algo que foi decisivo para mim: “Se você não está contente onde está, saia de lá. Deus quer te libertar dessa gente”.

Na mesma semana me desliguei daquela igreja.

A partir daí comecei a realmente conhecer o evangelho libertador de Jesus Cristo.

Não digo que tenha sido fácil, me sentia oprimida pelas palavras de condenação que passei anos ouvindo, às vezes achava que estava desviada, por não estar mais lá. Sentia medo, chorava, mas com o tempo fui sentindo paz e tranquilidade. Quem me viu depois, disse que eu parecia mais nova, que meu semblante mudara. De fato, eu estava mais leve, sem o peso da religiosidade.

Não tenho mais notícias sobre as pessoas de lá. Espero que hoje elas estejam livres também.

Porque nenhum uso e costume vai acrescentar ou diminuir qualquer coisa que seja à nossa salvação, pois quando Jesus Cristo morreu na cruz e ressuscitou, fez tudo o que era necessário para nos limpar de qualquer tipo de imundície, pecado ou etc.

Não há absolutamente nada que podemos fazer para ajudá-lo nessa obra (que já foi feita), então cortar ou não o cabelo, usar roupa X ou Y, usar maquiagem ou não, são coisas que vão ficar aqui quando partirmos e nada disso importa, nada mesmo.

Fonte da imagem:

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Os números de 2014

Publicado: 29/12/2014 em Uncategorized

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Muitíssimo obrigada à todos meus leitores

Dedico essa vitória à vocês, seu lindos! 😀

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 8.400 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 3 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Olá pessoa!

Foi bem de Natal?

O meu foi em casa assistindo um documentário qualquer desses e irritada com o barulho dos vizinhos.

…………..

Eu sei que meus textos tem ficado cada vez mais escassos, mas faltam palavras para me expressar, na maioria das vezes.

Eu que continuo gastando meu tempo conversando com desconhecidos pela internet, finalmente achei dois ou três, que são legais de bater papo por horas e horas a fio.

O grande problema são “os outros”, agora mesmo conversei com um tecladista da Assembléia de Deus do Brás, que queria meu Whatsapp.

Eu até passei para saber o que iria acontecer, assim que disse oi, ele disse que queria fazer uma ligação para mim, como eu disse que seria possível conversarmos por voz no próprio aplicativo, ele achou que eu o chamei de burro, me deus uns três esporros e só não me xingou porque eu não dei tempo pra isso, o bloqueando e deletando imediatamente.

Notei uma machismo aí, afinal, o cara se sentiu rejeitado e quis destilar toda sua violência contra mim. Realmente eu  não sou obrigada a aguentar esses lunáticos.

…………..

Falando com essa gente, eu pude comprovar que não só os homens de T.I. não gostam de banho, mas alguns esportistas também.

Recebi um videozinho de um desses caras me dizendo: “Eeeeei, tomei um banho, estava precisando!”.

Bem pelo menos naquele dia ele tomou um banho, né?

Só Deus sabe quando será o próximo!

………….

estou pensando em fazer um vlog, contando essas coisas que escrevo aqui. O que você acha?

Por gentileza, me dê sua opinião respondendo a enquete abaixo.

Seu feedback é muito importante.

 

Insonia

Eu sei que faz tempo que não posto alguma coisa.

Não sei se ando meio sem assunto ou sem vontade, mas esses dias me aconteceu algo que queria compartilhar aqui com vocês.

Tirando um colega que me deu um teclado novinho (agora meus pais podem usar o computador sem dificuldades para digitar) e alguns poucos que até comentam aqui, como o Big Bang, a maioria dos caras que conheço só me olham como alguém que pode ser usada como uma muleta emocional. Estou cansada disso!

Não sei se já contei aqui, de um conhecido que, do nada, veio falar comigo via chat, numa certa madrugada, querendo saber se eu ainda estava solteira, se estava trabalhando e etc.

Foi uma conversa normal, até o cara dizer que: a namorada o tinha deixado há uma semana, que não tinha mais dado certo, e então lembrou de mim; me achava bonita quando trabalhávamos juntos e queria ir ao motel, mas que não daria naquele momento, por serem 2 da manhã, mas que queria ir na tarde seguinte.

Eu hein, esses caras pensam que por eu ter alguns problemas de insônia estraria disponível para fazer sexo com eles?

Qual é a relação de uma coisa com a outra?

Engraçado que no perfil do Facebook o cara tinha deixado o status como namorando e tinha várias fotos beijando a moça, declarações de amor e pasmem! Uma semana depois nasceu a filha deles, e lá estavam várias fotos do casal feliz.

Se não bastasse isso, dois dias atrás, um colega online veio com o mesmo papo, que queria me ver, que queria meu endereço, que precisava me ver naquela noite, porque tinha lembrado de mim.

Meus contatos online, permanecem online, é o que digo sempre,(vocês já devem ter lido o que aconteceu  quando me aventurei a conhecer algumas peças raras, argh!).

Como eu saio dessas situações?

Digo que não é possível, que vou  dormir, se insistem eu despejo toda minha baixa autoestima sobre eles, e cinco minutos depois, eles mesmo  decidem dizer tchau.

E nunca mais voltam a falar comigo.

Não é triste que as pessoas só lembrem de mim quando tomam um pé na bunda?

Seria pedir demais que alguém simplesmente gostasse de mim e não me visse como mais uma opção teoricamente fácil, por nunca ter namorado?

Uma vez me perguntaram se eu era muito exigente.

Talvez eu seja exigente demais querendo alguém que goste de mim simplesmente por gostar, que tenha interesse em ler meu blog (pois faz parte da minha vida),  acho que é realmente “pedir demais” para esses boçais.

Fui.

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Não é pessoal? É sim!

Publicado: 11/10/2014 em Pessoal
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Tenho notado com uma certa frequência que dizer “relaxa, não leve para o lado pessoal” ou “sem querer ofender, mas. ..” tem sido os arremates de todo tipo de insulto e humilhação.
Eu mesma já ouvi :
“Você é burra! Mas não leve para o lado pessoal.”
“Você está levando para o lado pessoal, só porque te chamaram de inútil e mal vestida. Relaxa!”
Entre outras coisas…
Mas tudo é pessoal quando se coloca um adjetivo na pessoa.
Não é pessoal quando alguém diz: “Fulano, você fez tal coisa errada, o jeito correto é assim ou assado”.
Isso sim é uma crítica construtiva, pois está falando sobre a atitude da pessoa e como ela pode consertar. É diferente de: “Fulano, você é um inútil que não faz nada direito”.
Quantas vezes eu vejo esposas chamando o marido de bêbado, vagabundo etc.; maridos chamando suas esposas de porca, vagabunda etc.
Os filhos também não escapam, pois são desde crianças chamados de retardados, pestinhas e demônios.
Será que ninguém nota que esse tipo de palavra faz com que a pessoa se sinta desonrada, depreciada e presa psicologicamente?
Afinal, não haverá equilíbrio na reação, pois a raiva, a frustração, a tristeza vão fazer a pessoa confirmar com mais veemência adjetivo que recebeu ou fazer de tudo para mostrar que não é aquilo, no entanto, ela jamais vai ouvir a retratação do ofensor, e mesmo que ouça, nunca será o suficiente, e ela ficará presa na busca por aprovação.
Para quem foi ofendido, é importante buscar entender o que levou a pessoa a dizer aquilo, e que você possui mais valor do que a opinião dos outros possa demonstrar.
E para o ofensor, há sempre tempo de se arrepender, se desculpar e ser mais consciente de suas palavras a fim de não machucar mais ninguém.

A moça de vestido vermelho

Publicado: 16/09/2014 em Mulher
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Parecia  mais um dia comum de primavera.
Trabalhar à tarde me dava a oportunidade de “almoçar” depois das 7 da noite, numa das principais avenidas do país.
Mas fazer uma refeição sozinha nunca me pareceu animador, apesar de não ser incomum.
Pra que fazer uma refeição pesada, se após algumas horas já estaria em casa?
Resolvi comer um sanduíche, desses de fast food, sabe? O local estava cheio, parecia que o trânsito carregado, fez todo mundo esperar um pouco mais antes de voltar pra casa, e as luzes daquele comércio parecia atrair os que não tinham melhores opções do que o escritório ou a rua.
Comprei meu lanche e sai segurando aquela bandeja velha, equilibrando o copo para não derramar o refrigerante na batata frita, o ketchup no doce e tentando não espalhar o lanche,  fui me esgueirando entre adolescentes barulhentos, dondocas cheias de sacolas e almofadinhas risonhos.
Me senti aliviada ao encontrar uma mesinha meio suja pelo cliente anterior,  mas vazia.
Apesar de não me sentir confortável em comer de frente para o corredor e de uma mesa cheia de engravatados, tive de aceitar a situação.
Peguei o sanduíche engordurado na mão,  e no malabarismo para manter a salada, o queijo e a carne no pão, consegui abocanhar o primeiro pedaço.
Foi daí que ela apareceu no corredor.
De salto alto, bolsa no ombro esquerdo, vestido vermelho e óculos escuros, caminhava lenta e firmemente, sem parecer rude. Naquele momento corredor sua passarela de algodão, não ouvi o barulho dos seus passos, nem senti qualquer perfume,  não havia maquiagem, nem sequer brilho no cabelo.
E parecia ser uma daquelas miragens que alguém muito sedento vê no deserto.
Notei que a lanchonete fez silêncio total, os almofadinhas engravatados à minha frente estavam boquiabertos fitando aquela moça, que não era a mais bela do lugar, mas tinha atitude de sobra para ser a mais notada.
Ela simplesmente parecia satisfeita consigo, daquele jeito que transparece, não num sorriso bobo, mas em calma, tranquilidade e luz interna.
Me senti como uma menininha que admira aquela prima adolescente  mais bonita da família.
Ela notou o tamanho da fila e da mesma forma que entrou, saiu.
Foi-se como uma aparição repentina,  assim o local voltou ao normal,  com seu barulho,  música e risos habituais.
Não me lembro se terminei de comer aquele sanduíche,  olhei para meu tênis surrado e meus joelhos encolhidos,  juntei os cacos que sobraram da minha auto-estima e voltei para a minha vida cotidiana.
 
Foto retirada da Internet.